quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Desenho V Auto retratos


Nesta obra foi usado o suporte de um placar de promoções do super mercado “Modelo” que publicita um desconto de 50 % para pessoas com cartão de cliente. Sobrepus o meu auto retrato a este placar que só por si é uma peça de design e nunca uma obra de arte pois tem um objectivo em si – a comunicação com o publico. Tem um fundo azul com um circulo a meio a vermelho e amarelo com “50% entre outras informações” que emerge de uma luz que irradia atrás de si. O meu rosto está em transparência através de um quadriculado irregular feito a marcador preto e do preenchimento de algumas dessas quadrículas a preto também. Contém ainda duas barras uma horizontal ao nível do olho e uma vertical do lado direito da imagem que concede uma noção de equilíbrio. A escolha do suporte foi essencial nesta obra pois mais uma vez está directamente relacionado com o meu background, o local onde vivi assim como com a frieza comercial a que estamos expostos todos os dias, com uma série de resoluções milagrosas para os problemas monetários através de empréstimos, descontos, promoções entre outras coisas resultados óbvios de um estado capitalista em ascensão, ou não.


Fundo a preto pintado a spray, rosto e cabelo a papel autocolante prateado brilhante; olhos e nariz a preto executados com técnica de stencil e boca na mesma técnica a vermelho.
Este trabalho é diferente dos outros auto retratos na medida em que é mais directo, de uma leitura mais fácil e acessível.
Não foi o meu objectivo estar bonita na fotografia que tirei e sim ter um ar sério, rígido e sóbrio. Envernizei a totalidade da obra.

O verniz não só abrilhantou a superfície como lhe conferiu textura e reagiu no papel autocolante de uma maneira singular. O meu rosto acaba por reflectir o que quer que esteja à frente, sendo uma pessoa reflecte a imagem do próprio observador. Podemos pensar de duas formas: ou que a imagem reflectida é o que me vai no pensamento, no presente, passado ou futuro ou ainda criar uma ponte entre mim e o espectador que se pode de certa forma rever em mim ou eu nele criando esta ligação pessoal.

Os materiais usados nesta obra foram papel autocolante branco, preto e prateado brilhante. É uma adaptação de uma fotografia minha, “em jeito de auto retrato”. Apesar da imagem visual que pretendia passar está por trás o conceito de irreverência. A imposição de tantas regras à sociedade, regras de etiqueta e convivência que são obviamente necessárias mas no entanto precisam de ser questionadas, é a única forma de evolução. O acto de meter o dedo do nariz é mal visto pela generalidade das pessoas, apenas perdoado a crianças e ainda assim com direito a repreenda. O facto das crianças o fazerem prova que nos é instintivo, faz parte de nós mas nos é retirado para não sermos mal vistos pela sociedade e sobretudo para nos inserirmos. Por o dedo do apesar de instintivo e de mal visto é um gesto que trará prazer em potencial. Prazer esse que só não existe se os bloqueios e preconceitos da mente da pessoa que o executa não o permitirem. Eu proponho que exploremos todos esses actos que não devemos fazer.
Apesar da maioria da obra estar a preto existe o contraste dado pelo branco e a subtileza do prateado para nos despertar os sentidos (em termos visuais).



Uma obra que nos faz recuar no tempo mais de um século. As gigantescas chaminés cuspiam intermináveis torrentes de fumo para a atmosfera, mostrando toda a força de uma industrialização crescente e imparável. Cá em baixo, nas cidades, uns enriqueciam, outros na ruína, tentavam sobreviver. Foi uma época de força, de glamour, mas de máscaras e falsidade. O observador toma o papel de flâneur, olhando à distância o lado implacável e negro desta época a que muitos, lutando para se afirmarem, não sobreviveram.
É assim que a vejo e que a sinto tanto pelas barras verticais de papel autocolante prateado que aludem a edificios, como pelo acizentado (spray) que perfaz o contorno da face, como pelos brilhantes colocados na parte superior da imagem que se deslocam em direcção às barras exercendo uma tensão visual que só é batida pela boca a vermelho, loca esse que é o centro da imagem.



Esta serie de auto retratos foi começada no âmbito da disciplina de desenho V no entanto vai ser apresentada também à disciplina de laboratório pela ligação óbvia com as outras obras elaboradas para essa mesma disciplina. O suporte é uma placa de madeira irregular e com manchas e os materiais usados foram papel autocolante ( quadrados e barras) e uma película de bolhas de ar de polietileno. Esta película tem a forma negativa da minha cara e foi pintada com spray vermelho e posteriormente com uma fina camada de spray prateado que conferiu um aspecto brilhante. As barras de papel autocolante vermelho assim como os quadrados de papel autocolante brilhante prateado remetem-me pelas suas formas rígidas para um ambiente urbano e cinzento não deixando de ter um toque brilhante. A influência do meu background é óbvia, pelo sitio onde cresci Lisboa que apesar de ser uma cidade muito bonita e apelativa pelos seus edifícios antigos e bairros tradicionais também tem uma forte componente industrial sobretudo comparada a outras cidades mais pequenas como Faro.

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